O grande barato de estar numa maratona de entrevistas para emprego é que, depois de uns três dias percorrendo o Sagrado Caminho de Compostela dos departamentos de RH, você acaba adquirindo um razoável repertório de respostas para aquelas perguntinhas bocós que ninguém é capaz de fazer (ou responder) sem parecer ridículo.
Falo de questões como: o que você mais espera da empresa onde trabalha? Quais suas principais características? Além da definitiva, fatal e obrigatória: onde você quer estar daqui a cinco anos?
Como as perguntas são tosquinhas demais para merecer uma resposta verdadeiramente pessoal, todo mundo diz sempre as mesmas coisas, o que deixa a equipe – proativa e dinâmica – do RH putíssima da vida.
Apliquemos, porém, um pouco de neurolinguística e convertamos a crise da pergunta idiota em (atenção para a pronúncia espaçada e enfática) O-POR-TU-Niii (o quê?o quê?o quê?) DA-DE. Muito bem, é isso aí: oportunidade! (parabéns, você está indo muito bem!)
Reconheçamos: a pergunta idiota é uma tremenda, imensa, irresistível oportunidade para fazer bonito. Ou você não quer fazer bonito? Ah, claro que quer! Todo mundo quer fazer bonito. Com minhas dicas inteiramente desenvolvidas nos laboratórios da Nasa, você aprenderá a fazer bonito rapidamente, de forma saudável, natural e sem flacidez. Vamos lá.
- O que você pretende ao candidatar-se à vaga? diz a entrevistadora (psicóloga, 25 anos, solteira, linda).
Resposta errada:
- Há muito estou em busca de um verdadeiro desafio, algo que possa alçar minha carreira a um patamar mais elevado. Eu gosto de desafios, sou movido a desafios. Para mim, é essencial estar num ambiente estimulante onde o esforço e o talento são realmente valorizados.
Tudo errado, tudo errado! Assim ninguém sobre na vida, meu filho! A resposta correta é a seguinte.
(Nesse momento, é importante fazer contato visual com a entrevistadora.Olho no olho. Se possível, comece a palitar os dentes.)
Resposta correta:
- Eu quero é ser feliz, morar tranquilamente na favela onde eu nasci.
Ou:
- Ah, o que eu quero... né?... éééééé... da vaga, né? Pô, dexovê...ãããããh...
Ou:
- Eu quero uma casa no campo, onde possa compor muitos rocks rurais, e tenha somente a certeza dos limites da conta corrente e dos cheques especiais.
Já está no ar a versão digital do Codex Sinaiticus, um dos mais antigos (séc. IV; o Codex Vaticanus é só um pouco mais velho, embora do mesmo século) manuscritos bíblicos e o único a conter o texto integral do Novo Testamento.
A inciativa benemérita é do Museu Britânico, que gastou os tubos só para que você pudesse enfim justificar – perante a família, os amigos e a vizinhança escandalizada (do gr. Σκανδαλίζω) – aquele seu interminável Curso de Grego Clássico e Koiné (últimas vagas: garanta já a sua!).
Agora, se o amigo aí não lê em grego, ao menos responda com sinceridade: como é que você vai ser feliz desse jeito, hein?
Amanhã, dia 11 de julho, em Fortaleza, no auditório do Iprede. Destaque para a palestra do prof. Guy Taillade, às 12h25 (gravem e ponham na internet!).
Em 16 de agosto próximo, D. Fernando saburido, bispo de Sobral-CE, assumirá o arcebispado da arquidiocese de Olinda e Recife, sucedendo assim a Dom José Cardoso Sobrinho, que completou a idade máxima (75 anos; em 30 de junho último, D. José fez 76 anos) para o exercício do cargo.
D. José foi o sucessor de D. Helder Câmara à frente da arquidiocese e, ao contrário do antecessor, notabilizou-se por ser um pastor mais preocupado em conduzir as ovelhas ao paraíso celeste do que em promover a utopia igualitária do inferno terrestre. Só nos primeiros seis meses deste ano, D. José:
a)venceu um processo judicial (por injúria, calúnia e difamação) movido contra ele pela amante de um padre amancebado e suspeito de homicídio;
b)expulsou da paróquia o padreco mediante mandado de reintegração de posse;
c)enfretou – e venceu – a oposição sistemática da mídia local;
d)peitou a fúria midiática nacional e internacional por não dobrar a espinha à Internacional Abortista;
e)recebeu prêmio da Human Life International pelo seu trabalho no combate ao aborto.
Por tudo isso, é importante saber o que esperar do novo arcebispo. Será também um combatente ou só mais um banana de pijama e mitra?
Os primeiros indícios não são muito animadores. Ao tomar conhecimento oficial de sua nomeação, D. Fernando Saburido publicou uma carta aberta, dirigida a D. José Cardoso, na qual dizia considerar “graça especial e feliz coincidência de estar sendo chamado para Olinda e Recife no ano do centenário de nascimento do carismático Dom Hélder Câmara (...)”. Menção bastante significativa.
Porém, mais significativa do que a menção ao arzobispo foi a declaração feita durante entrevista, concedida em primeiro de julho (data de sua nomeação), ao Diário de Pernambuco. Perguntado sobre sua posição quanto ao caso do aborto realizado em março numa menina de 9 anos, D. Fernando respondeu:
“Como eu falei, cada cabeça é um mundo. Eu respeito muito Dom José Cardoso. Ele faz as coisas com responsabilidade e conhecimento do Direito Canônico. Mas eu sou mais pastoral. Eu deixaria de lado a política canônica e ficaria do lado da defesa da vida. Eu não gostaria, no entanto, de me aprofundar neste assunto.”
Reparem na profundidade da máxima “cada cabeça é um mundo”. Muito profundo isso, partindo de um bispo. Reparem ainda na ambigüidade intencional com que o bispo emprega a expressão “defesa da vida”. É um verdadeiro prodígio de linguagem dupla e fala amanteigada. Que significa “defender a vida” pondo de lado a política canônica? Que significa ser “mais pastoral”? Jamais saberemos, pois o bispo não quis se aprofundar, mas o episódio abaixo é um excelente exemplo de ação pastoral:
Meditando nesses coisas, cheguei a pensar comigo: o fantasma del arzobispo está solto! E, de fato, ele não apenas está solto como até já concedeu entevista e psicografou seu manifesto póstumo, intitulado Novas Utopias, no qual defende, agora com pleno conhecimento de causa, que o outro mundo é possível.
A notícia me surpreendeu, sobretudo pela participação de teólogos católicos nessa empreitada utópico-espírito-editorial. Mas a surpresa dissipou-se no instante em que, ao ler a entrevista, percebi naquelas palavras a presença real e o estilo inconfundível do nosso D. Helder. Doravante não tive mais dúvida: trata-se do fantasma del arzobispo, o mesmo que em vida concedeu esta entrevista, também espiritual, ao camarada Nelson Rodrigues.
Michael Jackson não morreu em vão. Sua morte serviu no mínimo para duas coisas:
a)Alavancar o preço da edição comemorativa de Thriller, de modo que agora é que não vou poder comprar mesmo;
b)Provar que, numa sociedade de massa, o aplauso é a verdadeira autoridade, o único critério de mérito e confiabilidade.
Um político suspeito de corrupção é necessariamente culpado; um padre acusado de pedofilia, idem; um professor excêntrico sempre atrairá suspeitas sobre sua capacidade, quando não sobre sua honestidade ou sanidade mental.
Mas nada disso acontece se você é uma supercelebridade. Nada disso acontece se você é Lula, Obama ou Michal Jackson. Para estes, as suspeitas já chegam atenuadas e sem aquela aderência instantânea.
O princípio contrário também se aplica, de modo que, fora da aclamação pública, tudo nos parece odioso, feio, cinza e, portanto, antecipadamente culpado: nossas autoridades, a religião, a sociedade, nossas vidas sem graça.
A autoridade, claro, jamais dispensou o prestígio. O prestígio, porém, não resumia-se ao prestígio de ser prestigiado. Era antes o prestígio da guerra vencida, ou de qualquer coisa igualmente difícil e necessária.
Hoje não é mais assim. Hoje, uma guerra vencida sem aplauso é guerra perdida, como o sabe George Bush. Mais vale a glória de nada ter feito salvo mendigar aplauso, pois ser aplaudido é o único modo de merecer mais aplauso. E à medida que cresce a aclamação, maior é a patente na hierarquia da veneração pública, que vai da fama efêmera à inimputabilidade penal (Lula e Obama), passando pela reverência indevida (quando comparam Caetano Veloso a Sócrates, por exemplo, ou Guevara a Jesus) e pelo direito à menoridade moral (caso de Michael Jackson).
Falando em Michael Jackson, constato que as modernas democracias de massa têm com ele algo em comum: surgiram como prodígios, mas infantilizaram-se com a idade. Tornaram-se assim uma espécie de moonwalk político: um avanço para trás.
Em toda parte, onde quer que se fale em “avanço democrático” – e há constantes manifestações nesse sentido, aqui no Brasil e no mundo, por exemplo, sempre que Hugo Chavez resolve impor algum plebiscito fraudado, ou quando um pobre ou um negro é eleito presidente da república, pelo simples fato de ser pobre ou negro, embora não seja negro nem pobre – o que se vê é o avanço da ditadura da celebridade política, o culto da unanimidade.
Recentemente, em Honduras, uma dessas celebridades políticas em ascensão, que até então vinha trilhando o caminho do estrelato pavimentado por Hugo Chavez, foi legalmente deposta pelas forças armadas. A mídia inteira bradou: “retrocesso democrático!”
“Retrocesso” aí significa que o uso da força foi pretensamente ilegítimo e arbitrário, precisamente porque não favorece a celebridade política, personificação da vontade popular e, por isso, fonte de toda legitimidade.
Analogamente, qualquer iniciativa da celebridade política para conservar e aumentar o próprio poder, sobretudo se mediante macumba eleitoral, é saudado como vitória da lei e da ordem: “um avanço democrático”.
A amor da massas diz muito sobre a massa mesma, mas quase nada sobre o objeto amado. No início da década de 20, a mais ilustre celebridade da cidade de Fortaleza era o bode Ioiô. Ioiô freqüentava os cafés literários e era cortejado por toda a boa sociedade. Era o atrativo principal nas festas e inaugurações públicas, o arrimo obrigatório das carreiras políticas e literárias. Emprestou assim seu prestígio a muitos; baliu e berrou em todos os palanques, até que afinal elegeu-se vereador, com votação recorde. Porém, como é comum entre as celebridades, Ioiô morreu jovem, vitimado pelo alcoolismo, e assim não chegou à presidência da república – façanha depois alcançada por outro bebum do reino animal, filo Mollusca, que não vamos citar.
Caso parecido aconteceu em Paçaroca, interior de Alagoas, dessa vez com um burrico cabeçudo. O burrinho não aceitava cabresto (era burro, sim, mas não era besta) e de tanto pinotar e coicear, derrubando quem tentasse montá-lo, o povo deu-lhe nome apropriado: Maicon Jegue. O nome estrangeiro e famoso consolidou a notoriedade do bicho, que assim foi crescendo no respeito, na consideração e no sentimento das pessoas do lugar.
Pela manhã, Maicon Jegue era presença obrigatória no Mercado Municipal, onde tomava café (com tapioca de côco) e, depois, já mais disposto, exibia-se à vista do povo e da curiosade geral. Muitos vinham de outras cidades para conhecê-lo (de fato, jamais alguém foi a Paçaroca por outro motivo), e talvez isso tenha inspirando ao prefeito a idéia de nomeá-lo Secretário Municipal de Turismo e Infra-estrutura Rodoviária. Maicon Jegue despachava em gabinete próprio, onde também passou a residir: um cercado improvisado nos fundos do prédio da prefeitura.
Foi grande o rebulico quando, ao chegar para mais um dia de trabalho, o assessor pessoal (e servidor devidamente concursado) do secretario deu pela falta do superior hierárquico. Corria o rumor de que Maicon Jegue fora seguir carreira no sul, onde certamente teria mais oportunidades. Falava-se em traição política, complô, seqüestro quem sabe, e entre o povo dominava ora a tristeza, ora a raiva, ora o orgulho antecipado das glórias sulistas do conterrâneo ilustre. Os procuradores do município insistiam na conveniência de um habeas jumentus que garantisse ao município de Paçaroca a posse exclusiva do jegue citado supra, onde quer que fosse encontrado.
Não houve tempo para tal. Daí a poucas horas o corpo de Maicon foi avistado: frio já, e teso, suspenso apenas por um cabresto enlaçado ao pescoço.
Apesar da hipótese de suicídio, o povo de Paçaroca não deu atenção a rumores caluniosos e exigiu que Maicon Jegue tivesse enterro cristão, como convinha a uma autoridade. Assim, houve missa e houve benção.As autoridades discurssaram, tanto os correligionários quanto a oposição. Não houve distinção. Maicon Jegue era patrimônio de todos, uma unanimidade ideológica municipal.
Num silêncio choroso, o cortejo fúnebre seguiu para o cemitério onde, entre lágrimas, coroas de flores e uma salva de 21 tiros, Maicon Jegue foi sepultado. A lápide de mármore que encimava a sepultura trazia, gravada em alto relevo, a seguinte mensagem: “O povo de Paçaroca a ti tributa eternas saudades.”
A segunda edição(1939) do livro O fim do mundo está próximo, de autoria do padre Júlio Maria de Lombaerde(1878-1944), trazia o relato de uma aparição da Santíssima Virgem, ocorrida três anos antes no sertão de Pernambuco.
Como nas aparições em Fátima e em La Sallete, esta também foi dirigida a crianças, duas, e anunciava para o Brasil três grandes castigos, dentre os quais a ascensão do comunismo, que viria como uma onda de "sangue que inundará o Brasil".
Veja aqui o comentário do diácono Francisco Almeida de Araújo e, logo a seguir, um resumo do relato publicado em 1939 pelo padre Júlio Lombaerde.Cortesia do site Sacralidade.
Destaque para o parágrafo abaixo, extraído do comentário do diácono, e no qual registram-se dois momentos decisivos da infiltração comunista na Igreja. Abre aspas:
No início dos anos 50 a Dra. Bella Dodd, advogada, funcionária de destaque do Partido Comunista Americano, deu informações pormenorizadas sobre esta infiltração. Ouçamos suas próprias palavras: “Nos anos 30 pusemos mil e cem homens no sacerdócio para destruir a Igreja a partir do seu interior”. Dez anos antes do Vaticano II ela declarou: “Nesse momento estão nos cargos mais altos da Igreja”. Afirmou ainda que aqueles infiltrados iriam provocar mudanças tão radicais que “não reconhecerão a Igreja Católica”.