E por aqui vamos indo


Publicitários jamais criam ideias novas. Apenas reciclam as bobagens que o indistinto público considere verossímeis. E quando se mostram particularmente persuasivos, é sempre porque souberam casar o ofício de iludir com o dom alheio de se autoenganar.

Dentre as bobagens de alto poder persuasivo e intenso apelo emocional estão as impressões, ideias e imagens que moldam nossa presente autoconsciência histórica, toda ela uma férrea cortina de ilusões cristalizadas no mito do nunca-antes-na-história-deste-país.

Mot de passe
da “grande festa democrática” onde a companheirada, para ressaca de nós outros, curte o pilequinho ideológico lulo-petista, esse mito ganhou tradução publicitária numa recente propaganda de uísque, detalhe ironicamente significativo do caráter intoxicante das ideias que nos enfiam goela abaixo.

Embaciada por 40% de teor alcoólico, a realidade brasileira parece viver o instante épico em que o gigante, afinal desperto, começa a ensair os próprios passos.

Mas reparando bem, já sem os cambaleios (ou cambalachos) de uma hermêutica histórica à Zeca Pagodinho, vê-se claramente que o gigante apenas acordou de saco cheio, pôs a viola no saco e foi-se embora, como qualquer brasileiro de olhos abertos. Se não conseguir cruzar o Atlântico até a Europa, morrerá sem dúvida afogado em alto-mar, seu corpo lentamente decomposto em camadas e camadas de pré-sal.

Mas e daí? (diz o gigante). Morrer no mar é doce, é doce morrer no mar. E é certamente melhor do que viver no Brasil a suportar o ronco e o porre de tantos e quantos pigmeus embriagados. Tenham um bom Carnaval. Fui!

O perigo que vem de baixo, ou Revolução social: uma nota de rodapé

Olho em volta e constato que afinal tudo dorme, não apenas as consciências. Até o gramscismo empedernido de nossa cultura de massa vez ou outra cochila. Quando isso acontece, é a realidade, olhos arregalados, que nos assombra, como um morto desperto em pleno funeral.

Não foi o que aconteceu com o filme Tropa de Elite? Concebido como repeteco do clichê “policial bandido”, o filme não pôde esconder a cumplicidade moral e material dos intelectuais com o crime. Algo semelhante ocorre no recém-lançado Assalto ao Banco Central. Adotando o mote “as elites criminosas e corruptas por trás de tudo”, o que o filme realmente flagra é a socialização do crime: sua transformação em atividade profissional especializada, meio de vida generalizado e fonte de ascensão social.

Combatido muito frouxamente e estimulado por um ambiente de regalias judiciais, o crime já assumiu o estatuto de direito adquirido, força da natureza, anônimo e definitivo fato social. Para todos os casos, o Tico e o Teco dos analistas só conhecem duas soluções possíveis: a descriminalização e a transformação social. As duas propostas, claro, são uma só e a mesma. Vejamos um caso.

Poucas semanas atrás, o advogado Jeferson Badan invocou a “ética profissional do bandido” para justificar a recusa de seu cliente, latrocida confesso, em apontar o comparsa. Diante das câmeras de tevê, o bandido lamenta a morte da vítima – reprovando-lhe a infração ética de ter reagido – como se narrasse um acidente de trabalho. Liberado depois do interrogatório, o criminoso voltou para casa sorrindo, a consciência tranquila, o sentimento do dever cumprido, um ar superior de “nada a declarar”.

A relação desse episódio com a revolução social, da qual falou o professor Olavo, vai além do flagrante de decomposição semântica, obra da politização do discurso moral, tema tratado quinze anos atrás n’O Jardim das Aflições. No presente estado de coisas, a matéria decomposta das palavras já não exala fedor, e podridão sobe mas é de dentro das almas.

A “ética profissional do bandido” é obra do império da moral fortuita, atomizada, descartável e politicamente motivada, para cuja promoção convergem o aparelho repressivo e a educação estatais, o assédio raivoso dos ativistas e a propaganda dos meios de comunicação de massa. Na esteira da promoção social do lixo e da destruição dos valores tradicionais, a revolução vai dando à luz seu filho iníquo: a sociedade estruturalmente imoral

Se revolução social é “uma mudança radical dos meios de alcançar riqueza, prestígio e poder”, com a subordinação de toda atividade socialmente significativa aos objetivos políticos do Esquema, nenhuma mutação mais completa do que conferir ao crime prestígio, glamour e legitimidade, enquanto as atividades realmente legítimas são corrompidas pelo avanço do ganguesterismo político.

Ostentando com orgulho uma carreira criminosa iniciada ainda nos anos 60, o bem-sucedido Esquema revolucionário ainda não produziu o paraíso terrestre, mas já promoveu a ascensão social do crime.

É com justiça, portanto, que a nova elite não cessa de gambar-se por ter vindo de baixo. De fato, emersa do mais profundo esgoto, ela soube galgar os postos mais elevados. O problema é que trouxe consigo a merda, pódio logo estendido aos alpinistas das alturas abissais.

Fruto maduro da criminalidade política, a política de descriminalização (das drogas, do aborto etc.) é sobretudo seletiva. Ela não apenas some com os próprios e velhos crimes como também inventa novos para todos os demais. E nas horas vagas, para desanuviar, combate com sanha implacável a ameaça dos petiscos e os riscos da bituca malvada.

A quem, com a eleição de Tiririca, Romário e celebridades do tipo, acreditou já estivéssemos no fundo do poço, peço que aguarde com paciência o fim da picada. Depois dos mandatos presidenciais de Lula e Dilma, ainda nos resta o reinado de Fernandinho Beira-Mar. Aos que até lá esperam acordar no país dos seus sonhos, sugiro veementemente que continuem a cochilar.

Reis de Portugal

Iniciativa do Filmes Épicos, poupo-lhes somente o trabalho de descarregar os arquivos com a lista de links. Infelizmente a 4ª Dinastia não está disponível. Vão lá cobrar ao gajo. Não está fácil mas, se calhar, podem comprar em linha. Tentem aqui, e acó. É ver e gostar imenso.


1ª Dinastia – Borgonha
Epis.00 - AS ORIGENS DE PORTUGAL - DA PRÉ-HISTÓRIA AO CONDADO
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Epis.01 - D. AFONSO HENRIQUES - O CONQUISTADOR
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Epis.02 - D. SANCHO I - O POVOADOR
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Epis.08 - D. PEDRO I - O JUSTICEIRO OU O CRUEL
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Epis.09 - D. FERNANDO - O FORMOSO
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2ª Dinastia – Avis
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3ª Dinastia – Habsburgo
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Promoção Oi Torturador Infinity Prejulgado

Nada evidencia tão claramente a motivação política por trás do assédio judicial movido contra o coronel Ustra quanto o protesto organizado em frente ao fórum na hora exata em que, lá dentro, a justiça – cega ainda, não sei, mas certamente nada surda a certas vozes particularmente ruidosas – ouvia o depoimento das testemunhas de acusação ante o berro de fundo das palavras de ordem.

Curioso é que a imprensa noticie o protesto sem informar um só como, quem, quando, onde ou porquê. Quem organizou? De onde vieram? Quem pagou a conta? Ninguém sabe responder porque ninguém quis perguntar. Para a imprensa, certas manifestações – i.e. as manifestações certas – são fatais, impessoais e inocentes. São como as águas de março ou o Dia das Mães.

Mas se a clamorosa causa da verdade histórica tem a seu favor o testemunho das pedras, da água e do ar, são as testemunhas humanas que dão prova da mais firme caradurice.

A exemplo daqueles que, regressando de vidas passadas, retornam invariavelmente Césares ou Cleópatras, as testemunhas do caso alegam ter sido todas torturadas pelo comandante do Doi-Codi do II Exército em pessoa, sempre – jamais por um subalterno anônimo que não valha a pena processar. É o caso do ex-ministro Paulo Vanucchi, que, quanto a seus propósitos, já esclareceu:

“não sou (...) apenas porta-voz dos familiares: sou um militante político, tenho um projeto para o País e acho que todo tema só tem sentido se for projetado para o futuro.”

Não devemos perguntar, nem é preciso, a espécie de futuro que a militância do ex-ministro projeta.

Também é notável como a passagem pelo Doi-Codi abriu para muitos as portas da percepção. Joel Rufino dos Santos, por exemplo, passados 40 anos, de repente lembrou ter ouvido de um torturador (anônimo, esse?) a confissão do assassinato de Luiz Eduardo Merlino. Um feito e tanto para quem, durante o horário comercial, não acredita em memória “verdadeira”, assim mesmo entre aspas.

Mas o prêmio Aldous Huxley vai para o camarada Otacílio Cecchini, o qual, segundo diz, padecia as torturas do coronel Ustra quando, de repente, tocou o telefone. Era o Exército, teve logo certeza, e segue ele relatando a conversa nos dois lados da linha. Não sei como um preso, lá do cume do seu pau-de-arara, foi capaz de identificar e acompanhar uma chamada telefônica. Deve ter sido pelo ringtone (“eu te amo, meu Brasil, eu te amo”) do coronel, que além disso deixou o viva-voz ligado. Fica assim provado que o coronel de fato é um maldito ligador.

Abaixo, com a palavra, o cel. Ustra.



E agora o presidente Figueiredo, em 1979, assinando a Lei de Anistia.



E em 85,entre simpático e irritadiço, entrevistado por Leila Cordeiro.

Bruno Tolentino na UFRJ

Palesta (em doze partes; segue abaixo a primeira) de Bruno Tolentino na Federal do Rio, em 2003, durante evento dedicado a Vinícius de Moraes. Em tom de cavaqueira leve, bem à carioca, o Bruno resume a tragédia dos últimos anos do Poetinha:

"Vinícius estava lidando com um drama dos mais difíceis de viver: é o de não ser palhaço e não ser homem maduro, não ser o poeta ou artista maduro; continuar até o final só tendo um registro de humor, que era a jovialidade. Com isso é muito difícil caminhar para a UTI."

Impossível não pensar na idéia, hoje tão comum, de que "a idade está na cabeça", ou que "o importante é permanecer sempre jovem" e bobagens do tipo. Como todo mal de velho, também esse é fatal. Vinícius morreu disso. Mas e o Bruno? Quem saberá dizer seu mal secreto?

Advertência: simplesmente ignorem a academiótica louca que tenta chamar a atenção no final com o batido número do "gente, não vamos generalizar"*. Ou então aproveitem para perceber como o Bruno lidava (aliás bem mal) com esse tipo de situação: concordava até a pessoa cansar de discutir sozinha.

* Se você aprecia esse e outros números divertidos, adquirá já por reembolso postal o best-seller "101 truques simples para animar festinhas e palestras".


PT DECLARA GUERRA À IGREJA



(http://naomatar.blogspot.com)

O sítio petista "Onda vermelha: PT + 20 anos no poder" declarou guerra explícita à Igreja Católica. O título do artigo postado em 18 de outubro de 2010 é "A Igreja é contra o PT, vamos combatê-la". Ele faz louvores ao companheiro Hugo Chávez, que controla a Igreja na Venezuela e prossegue dizendo:

O PT já está processando a Diocese de Guarulhos (SP) por conta da tentativa de interferir no processo eleitoral, mandando imprimir panfletos que denigrem nosso partido e nossa candidata. Não podemos permitir esse tipo de abuso, e faremos o combate de todas as maneiras possíveis. Precisamos continuar pressionando o comando do partido, dito moderado, para que continue defendendo os valores que historicamente são bandeiras do PT.

A perseguição religiosa em Guarulhos lembra a dos primeiros cristãos pelo Império Romano. Uma milícia de petistas, por sua própria conta, resolveu intimidar e constranger o dono de uma gráfica pelo simples fato de ter aceitado imprimir o panfleto "Apelo a todos os brasileiros e brasileiras", elaborado pela Comissão de Defesa da Vida do Regional Sul 1 e aprovado pela Comissão Regional Representativa do Conselho Episcopal Sul 1 da CNBB, com a assinatura de Dom Nelson Westrupp (presidente), Dom Benedito Beni dos Santos (vice-presidente) e Dom Airton José dos Santos (secretário geral). Os militantes abordaram o pobre homem, crivaram-no de perguntas, trataram-no como se fosse um criminoso apanhado em flagrante, pediram-lhe documentos e informações, num ato típico de constrangimento ilegal. A perseguição, que evoca a KGB soviética ou a Gestapo nazista, é exibida com orgulho por um vídeo produzido pela "TV PT":

http://www.youtube.com/v/THvAV30BQp8?fs=1&hl=pt_BR&rel=0

Os petistas tem razão de temer a publicação do "Apelo". Ele contém fatos (contra os quais não há argumentos) que comprovam o nexo indissolúvel entre o PT e a causa abortista, assim como a radical incompatibilidade entre esse partido e a causa pró-vida. Na impossibilidade de negar os fatos, resta apelar para a violência. Foi o que que eles fizeram. O panfleto é legítimo, de modo algum é apócrifo (traz a assinatura de três Bispos) e não pode ser classificado como "propaganda eleitoral". É uma advertência moral aos católicos, feita em um momento eleitoral. Os Bispos não têm culpa pelo fato de o PT estar tão intimamente ligado a um atentado direto à vida inocente. De qualquer forma, a Igreja não pode calar-se diante de quem quer que defenda o aborto, seja o PT, seja outro partido ou candidato. A legitimidade do panfleto e a ordem de prosseguir com sua distribuição é esclarecida e assegurada pelo Bispo de Lorena Dom Benedito Beni dos Santos:

http://www.youtube.com/v/c-FFx5167Z0?fs=1&hl=pt_BR&rel=0

Eis a transcrição de sua belíssima fala:

Sou Dom Benedito Beni dos Santos, Bispo de Lorena. Estou gravando esta mensagem no dia 18 de outubro do presente ano.

A Igreja no Brasil há décadas vem lutando em prol da defesa da família e do respeito a seus direitos. A mobilização contra a descriminalização e a legalização do aborto faz parte dessa luta.

A questão do aborto tornou-se tema importante na campanha política em preparação para as eleições deste ano, primeiro e segundo turno.

Além da CNBB nacional, Assembléia e Presidência, os Bispos do Estado de São Paulo chamaram a atenção sobre a importância do tema do aborto como parte da discussão em preparação para as eleições. Na Assembléia Ordinária do Episcopado Paulista, realizada entre os dias 29 e 30 de junho e 1º julho deste ano, aprovaram uma espécie de Dez Mandamentos para VOTAR BEM.

O terceiro mandamento diz o seguinte:

“Veja se os candidatos e seus partidos estão comprometidos com o respeito pleno pela vida humana desde a concepção até a morte natural”.

No dia 26 de agosto deste ano, a Comissão Episcopal Representativa do Conselho Episcopal Sul 1 da CNBB (Estado de São Paulo) emitiu uma nota em favor do “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS”, elaborado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1. Eis o teor da nota:

“A Presidência e a Comissão Representativa dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, em sua Reunião ordinária, tendo já dado orientações e critérios claros para “VOTAR BEM”, acolhem e recomendam a ampla difusão do “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS” elaborado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1”.

Assinam a nota Dom Nelson Westrupp (presidente), Dom Benedito Beni dos Santos (vice-presidente), Dom Airton José dos Santos (secretário geral).

O “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS”, cuja difusão ampla é recomendada pelos Bispos, cita fatos concretos em que o governo brasileiro e o Partido dos Trabalhadores propõem a descriminalização e a legalização do aborto durante todos os nove meses da gravidez. Trata-se do substitutivo do PL 1135/91 apresentado pelo atual governo em 2005 e ainda tramitando no Congresso. O “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS” termina deste modo: “RECOMENDAMOS encarecidamente a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras, [...] deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalizacão do aborto”.

Portanto, o “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS” elaborado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1, é um texto legítimo e não falso. Contém fatos e não boatos. É expressão legítima da cidadania democrática.

Os Bispos do Estado de São Paulo, reunidos em Assembléia das Igrejas, neste 16 de outubro, fizeram um alerta com respeito a folhetos que estão sendo distribuídos sem a aprovação da legítima autoridade diocesana. Este não é o caso do “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS”, elaborado em vista do primeiro e do segundo turno das eleições. Na Diocese de Lorena estes folhetos continuam sendo distribuídos nas 31 paróquias. Não se trata de interesse partidário ou ideológico, mas da defesa da vida através de instrumentos legítimos da expressão da cidadania e, portanto, de participação na promoção do bem comum da nação. As pessoas que estão divulgando o documento fizeram apenas o que nós, Bispos, lhes pedimos.

As informações do “APELO” são fatos amplamente documentados. Contra fatos, não há argumentos. Os fatos, pois, são a parte mais importante do “APELO”.

A sua divulgação é legítima. Esses fatos devem chegar ao conhecimento do povo e devem continuar a ser divulgados o mais amplamente possível.

Recomendo isso sobretudo à Diocese de Lorena, que presido.

(fim da transcrição)
EIS O PANFLETO QUE ATERRORIZOU O PT




POR QUE ESSE FOLHETO NÃO CARACTERIZA PROPAGANDA ELEITORAL

A Resolução 23191 do Tribunal Superior Eleitoral dispõe sobre a propaganda eleitoral e as condutas vedadas em campanha eleitoral. Segundo essa norma, a propaganda, qualquer que seja a sua forma ou modalidade, "mencionará sempre a legenda partidária" (art. 5º). Em se tratando de folhetos, eles devem ser editados "sob a responsabilidade do partido político, da coligação ou do candidato" (art. 13).
Ora, os Bispos não são candidatos nem constituem um partido político. Seriam eles obrigados a guardar silêncio se algum Partido, abusando da pluralidade de opinião, defendesse a confinação de deficientes em campos de concentração, como ocorreu na era nazista? E serão eles obrigados a ficar mudos quando um Partido oficialmente defende a descriminalização do aborto como algo obrigatório a ser acatado pelos seus candidatos?

A defesa da vida é uma questão moral, à qual os Bispos não se podem esquivar. Os católicos devem votar conscientes dos fatos amplamente expostos e documentados no "APELO". Daí a necessidade da "ampla difusão" desse folheto.
Seria absurdo se a lei obrigasse os Bispos a divulgar tais afirmações apenas sob o patrocínio de um partido, coligação ou candidato. Aí sim, a Igreja se veria constrangida a ficar envolvida diretamente em campanha eleitoral, desnaturando o seu caráter de "católica", isto é, universal.

Não constituindo propaganda eleitoral, o folheto é de distribuição livre. Não é anônimo (o que é proibido pela Constituição Federal em seu artigo 5º, inciso IV), mas traz a assinatura de três Bispos.

"BEM-AVENTURADOS SOIS VÓS QUANDO VOS PERSEGUIREM..." (Mt 5,11)

Ao resolver perseguir os Bispos e demais fiéis que distribuem o "Apelo a todos os brasileiros e brasileiras", o PT acabou cometendo o mesmo erro que cometeu Jandhira Feghali nas eleições de 2006. Naquela época, a candidata comunista (PC do B) ao Senado já se imaginava eleita e planejando o que faria como senadora.

Apavorada com a distribuição de um folheto que informava sua atuação pró-aborto, ela recorreu ao TRE-RJ e acusou a Arquidiocese do Rio de Janeiro. Ele obteve que fiscais, no dia 21/09/2006, cumprindo um mandado de busca e apreensão, invadissem a Mitra Diocesana, inclusive o gabinete do Cardeal Dom Eusébio Scheid, em busca dos supostos panfletos. Nada foi encontrado, uma vez que a Arquidiocese não era autora da publicação. No dia 25/09/2006, o Cardeal recebeu uma intimação para guardar silêncio sobre qualquer “referência político-ideológica”.

Essa liminar foi cassada no mesmo dia pelo colegiado do TRE. No dia 1º/10/2006, contrariando o que previam as pesquisas, Jandira obteve apenas 37,54% dos votos válidos e perdeu para seu adversário Francisco Dornelles (PP/RJ), que ficou com 45,86% dos votos válidos.

A perseguição sempre foi fonte de bênçãos para os cristãos. No presente momento, não se deve temer "os que matam o corpo, mas não podem matar a alma" (Mt 10,28). Quanto mais o PT perseguir a Igreja, mais contribuirá para o mérito dos cristãos. Ele estará assim forjando sua própria derrota.

Convém que a perseguição ocorra - como já está ocorrendo - agora, ou seja, antes do dia 31 de outubro. Ela serve para dar ao povo uma pequena amostra do totalitarismo que se pretende instalar no país com a vitória de Dilma.

Nossa principal arma, porém, continua sendo a oração confiante e perseverante. Se permanecermos fiéis na recitação diária do Terço da Misericórdia às três horas da tarde e na recitação de um Rosário completo a cada dia, tudo o mais virá por acréscimo. Uma mulher deve vencer esta eleição. Seu nome é Maria.

--
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
Telefax: 55+62+3321-0900
Caixa Postal 456
75024-970 Anápolis GO
http://www.providaanapolis.org.br
"Coração Imaculado de Maria, livrai-nos da maldição do aborto"

A golpes de plebiscito, ou Chupa, Chalita!

Dom Aldo Pagoto documenta passo a passo os esforços abortistas do PT, desmascarando a estratégia eleitoreira de ocultação. Petista é assim mesmo: mente na cara dura. É como Fidel Castro dizendo: "Em Cuba não há presos políticos".

E mentira é coisa democrática. Onde mente um, mentem dois, não é mesmo? Digo isso como preâmbulo a este brado retumbante: chupa, Chalita!





Mas a pergunta que fica é a seguinte: caso eleita, como Dilma faria para, driblando o desgaste político, dar continuidade à agenda abortista do PT?

A resposta é simples: plebiscito. Um, dois, tantos e quantos se façam necessários. É só encher de grana o rabo das ONGs e elas terão prazer em executar o trabalhinho sujo que invariavelmente lhes cabe. Foi o que fizeram em Portugal.

Alguns andaram aplaudindo a criptoabortista Marina Silva e sua proposta de plebiscito. A diferença entre Dilma e Marina é quase tão nula quanto a beleza das duas. Dima diz: "Não vou descriminalizar o aborto". Marina completa: "Vocês é que vão".

E não esqueçamos que José Serra, em termos de estratégia sorrateira, também não fica atrás. Foi ele quem, cedendo aos grupos de pressão pró-aborto, torceu o Código Penal a fim de transformar crime não punível em direito garantido pelo Estado. Não foi preciso lei, plebiscito nem campanha. À luz noturna das madrugadas ministeriais, o vampiro cravou os dois dentes na jugular dos brasileiros, ajudando o peão abortista a avançar muitas casas.

Deus realmente existe e é brasileiro, como prova este nosso milagre eleitoral: nenhum candidato é a favor do aborto, mas todos o favorecem com a devida e santa cara-de-pau.

Arqueólogos descobrem palácio de Ulisses em Ítaca

Mérito da equipe do professor Thanassis Papadopoulos, depois de 16 anos de escavações.O professor garante que o sítio descoberto corresponde exatamente à descrição dada por Homero na Odisséia. Confira a matéria.

E isso me faz lembrar de Heinrich Schliemann, que, confiando inteiramente nas paisagens descritas na Ilíada, descobriu a localização da cidade de Tróia há pouco mais de cem anos.

Doravante, quando pessoal chique disser que tudo é ficção, que o referente morreu e que o significante é o significado, reúna cuidadosamente os dois tomos de sua edição bilíngue da Odisséia (ou da Ilíada, ou ambas) e descarregue-os violentamente sobre a cabeça iluminada. Console-a em seguida com a máxima de que a dor poética só existe na cabeça das pessoas.

Se não pode dizer a verdade com todas as letras, diga-a com pontos e vírgulas

Deliberadamente ou não, foi o que fez a repórter Veruska Donato, na edição da última terça (17 de agosto) do Jornal Nacional.

Destacando alguns pontos de uma entrevista coletiva de Dilma Roussef, disse a repórter:

"Sobre o aborto, um dos temas do documento, Dilma afirmou que é a favor [pausa para tomar água] de que a legislação atual seja cumprida."

Quando assisti à reportagem pela primeira vez, cheguei a pensar, naquele segundo em suspenso, que a petista tinha desistido de mentir.

O curioso é que, como se pode ver no discurso original (em torno de 7m30s), a própria Dilma comete, no mesmíssimo ponto, uma pausa (ou ato falho, que seja) semelhante.

Percebam também como o texto da repórter altera o sentido da declaração original. O que Dilma realmente disse foi:

"E quanto ao aborto, eu sou a favor [pausa menor, só pra cuspir] da manutenção da legislação."

Desejar manter a legislação no futuro e ser a favor de seu cumprimento no presente são, é óbvio, coisas bem diferentes. Algo, porém, as duas frases têm em comum: ambas subentendem a premissa (completamente falsa, mas essencial à estratégia do movimento abortista) segundo a qual a legislação brasileira contempla algo como um "aborto legal". Foi impondo à lei essa interpretação que o movimento conseguiu introduzir o aborto nos hospitais públicos.

Em suma, o que a candidata petista faz, ao emitir essa declaração aparentemente antiabortista, é na verdade consolidar uma etapa da estratégia pró-aborto, facultando ao abortismo a obtenção (ainda que parcial) de seus fins sem necessidade de qualquer mudança na lei. Não há duvida que de, esticando a baladeira, pode-se obter praticamente tudo mediante o truque de reinterpretar a legislação à luz, ou à treva, de tais e quais interesses.

Não custa lembrar que, quando ainda pré-candidata, o discurso de Dilma era diferente. E quanto mais se recua, mais aumenta a diferença.

Por isso, palmas para a repórter Veruska Donato, cuja técnica jornalistica é exemplarmente adequada à realidade brasileira.Já desde o terreno baldio de Nelson Rodrigues que o único jeito de obrigar a esquerda a dizer a verdade é invertendo tudo, tudinho o que ela diz.